Mother



Hoje, não sendo muito diferente de todos aqueles que dedicam algo a alguém especial, também dedico esse post àquela pessoa a quem se deve sempre o agradecimento pela sua existência, à sua mãe...à MINHA MÃE!

Reconheço que não sou o tipo de pessoa que conversa sobre tudo e mais alguma coisa com a sua mãe, não que ela não fosse uma pessoa com quem o poderia fazer, mas simplesmente porque isso tem a ver com o facto de eu ser algo reservado em relação a determinadas coisas. Assim também posso ser considerado daquelas pessoas que não expressa efusiva e verbalmente o seu reconhecimento pelo trabalho de mãe, pelo papel de mãe, pelo amor de mãe, e que ao invés disso, prefere antes traduzir esse tipo de reconhecimento através de acções ou através do respeito demonstrado.

À semelhança de muitas outras pessoas, e como acontece com outros tipos de relações, quer sejam relações familiares ou não, também temos tido, ao longo do tempo, os nossos altos e baixos e embora existam palavras e acções que ficarão para sempre gravadas, não serão essas aquelas a que irei recorrer para me lembrar de ti ou para reconhecer a tua pessoa e o teu carácter. Há coisas nossas [tuas, minhas e dos meus irmãos] que serão nossas e que assim devem ser mantidas.

Entristece-me saber que de certa forma o teu percurso poderá não ter sido o expectável e que ao olhares para trás e ao tentares olhar para a frente, possas sentir uma sensação de desconforto, uma sensação de derrota, de algum desamparo, porque depois de todas essas batalhas travadas a vitória é algo que ainda não se avista. Mesmo sabendo que o teu desejo não é estar a cantar a vitória ou a vangloriar-se desta, sei que nesta altura do campeonato irias saborear com prazer o merecido sossego, gozar a tranquilidade da tua idade na companhia dos teus filhos, dos teus netos, usufruir de um estado de espírito que se poderia considerar realizado. Um estado de espírito disposto a riscar as etapas já realizadas e possivelmente apto a deixar-te traçar pequenos objectivos secundários, que não sendo prioritários, poderiam ainda fazer-te sentir mais feliz. Mas a vida não é uma mar de rosas para quem quer, mas sim para quem teve essa sorte, e infelizmente nem todas as mães têm esse prémio [sentir a vitória] depois de vários anos ao "serviço" dessa função de serem mães, de dedicarem a sua vida (seja em que percentagem for) aos seus filhos. 
Como ironia do destino, muitas ainda sentem que a fase pior das suas vidas está a acontecer neste momento, ou que estás prestes a chegar, porque em vez de gozarem do descanso, estão a sentir na pele os problemas causados pelos filhos e devido a isso, associado a outras possíveis situações menos positivas, vivem num estado de preocupação que pode ultrapassar os seus limites, pois não é tarefa fácil multiplicar os problemas que podiam ser só seus, pelos problemas que podem ser dos vários filhos. 
Por isso, e quero que seja assim enquanto eu for capaz, tentarei, dentro das minhas possibilidades, não te retirar esse direito de tranquilidade, esse sossego da mente que tanto mereces.   

   

Comentários

  1. A realidade é mesmo essa, as mães quando deveriam desfrutar da vida, tendo os filhos crescidos têm o outro lado, aguentam com o barco e levam com os problemas dos filhos. Talvez seja mesmo esse o papel de uma mãe, mas gostaria que não o fosse.

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